Olha, desde a minha conversão sempre ouço piadas e críticas, faz parte e nem ligo muito pra isso. Uma vez um cara me disse “vc não tem cara de evangélica” na hora eu disse “então devo ter cheiro porque sou evangélica” e assim eu vou levando, num queimo muito a cabeça com comentários assim, como passei a maior parte da minha vida do outro lado sei bem o que algumas pessoas pensam de "crentes" e como reagem à menor expressão da palavra Deus, então, para algumas pessoas só me resta orar. Mas, dia desses uma amiga minha e é amiga mesmo de looooooonga data me disse “Pô Alice, vc não bebe, não fuma, não sai, só fala de Deus, só quer ir pra igreja. Vc vendeu seu cérebro pra igreja?”, bem, ao menos ela foi sincera pensei eu, tenho a certeza que muuuuuuuitas pessoas devem falar isso mas não pra mim, assim, não fiquei chateada mas disse “Querida, eu não poderia vender meu cérebro pra igreja, porque acho sinceramente que a minha igreja não estaria disposta a comprar um cérebro com mais de 30 anos de uso ininterruptos, então, eu teria que doá-lo a igreja e se for doação é espontâneo e terá sido uma opção livre, mas, mesmo assim acho que a minha igreja não está disposta a ter o meu cérebro, agora, se vc quer saber se eu continuo com meu raciocínio coerente ou se virei uma religiosa fundamentalista, vou te dizer... não acredito que eu tenha parado de pensar e agora precise da minha igreja para pensar, mas me sinto outra pessoa e estou feliz como nunca estive na minha vida.”, ela riu sem graça e me disse “puxa era só uma piada” mudamos de assunto e tocamos a conversa pra outro lado. O fato é: não há lavagem cerebral, esse papo de que agora a igreja roubou meu cérebro e que eu só faço o que o pastor manda e coisa e tal não existe. Mas, tenho que confessar que algo muito profundo aconteceu comigo quando eu fui à frente e entreguei minha vida a Deus, algo gigantesco aconteceu dentro de mim e tomou conta de todo o meu ser. Às vezes ações, palavras e lembranças me remetem ao passado, mas quando penso em como eu era é como se fosse um filme sobre outra pessoa, não vivo do passado, gosto da Alice que sou hoje.
Mas, mesmo assim, recentemente me vi pensando em mudar de igreja, nada de errado com o meu pastor, muito menos com Deus, nem com o Ministério da Fé em si, mas somos humanos e o convívio com outros humanos sempre foi complicado pra mim, tem uma hora que a gente vê defeito nas pessoas, tem outra hora que nos sentimos cobrados, tem uma hora que nossos olhos ficam mais críticos e menos admiradores, acredito que isso faça parte do convívio humano e também acredito que toda vez que eu perdia o encantamento com algo (seja trabalho, amigos, estudo) eu simplesmente os abandonava, pra piorar a situation eu me vi em uma situação de total desconforto dentro da igreja, um mix de vergonha e constrangimento, como eu já tinha pensado em procurar outro lugar, dessa vez me vi tomada pelos seguintes pensamentos:
– igreja é tudo igual, eu não quero ir mais pra minha igreja, não me sinto mais confortável no culto, não preciso passar por isso,
– ah, eu nem visitei todas as igrejas do DF. Tem uma igreja que eu queria ter ido e não fui o pastor de lá é muito atencioso até me mandou um livro e um CD
– imagina igreja nova, tudo novo, conhecer pessoas novas, aí eu posso não me envolver com nada da igreja vou lá assisto o culto e pronto, que ótimo isso.
Eu já estava tão tomada por esses pensamentos que já até me via em outra igreja e começando tudo do zero, dessa vez eu seria bem imparcial, sem me envolver muito, sem conhecer as pessoas da igreja, ou seja, do jeito que eu gostava, sem comprometimento, no estilo entrar muda e sair calada e olha, por muito tempo foi assim que eu fiz na minha igreja e acreditava que o meu erro tinha sido me envolver com o mundo da igreja. Mas, dessa vez algo me parou, gosto de pensar que foi o Espírito Santo, ao mesmo tempo em que eu tinha o ímpeto de desistir alguma coisa me dizia - encare, vc precisa encarar isso, não fuja como todas as outras vezes, resolva isso de uma vez por todas. Vc não é a velha Alice, lute contra isso. As coisas vão se assentar. Ontem na igreja eu estava tão desconfortável que uma amiga percebeu (o que me deixou extremamente irritada porque a última coisa que eu queria era transparecer minha inquietação) e me disse “Alice, porque vc está tão ansiosa, acalme-se, o que estiver te afligindo passará” aí eu disse “eu sei disso, mas a espera é que tem me machucado, a poeira ainda não baixou” e ela me disse algo tão lindo “Se existe poeira é sinal de que há obras, deixe que Deus está cuidando para que essa obra acabe e que a reforma esteja completa”, acreditem essas palavras me acalmaram e até senti vergonha diante de Deus, puxa vida, será que eu esqueci que Deus comanda a minha vida? Ela ainda me deu o Salmo 139 para ler e o fiz e vou ler esse Salmo até a poeira abaixar e eu ver a reforma completa.
Existe guerra espiritual? Há batalhas para nos tirar do foco que é Deus? Sim, mas não vou espiritualizar minha atitude e nem meus pensamentos, ao contrário disso, vou racionalizá-los, eu sempre fiz isso, minha vida inteira era assim, eu enchia o saco de alguma coisa, pulava fora, era simples assim. A boa notícia é que dessa vez vai ser diferente, vou ficar onde estou, estou decidida a não sair da minha igreja, que coisa mais burra, ao primeiro sinal de desgaste eu corro? Bem, eu era assim mas não quero mais ser, é preciso aprender a conviver com humanos, é preciso fazer parte de um grupo. Então, aviso aos navegantes desse barco chamado igreja, eu não vou sair da minha igreja, se o pastor Fadi ou o pastor Sandro um dia me expulsarem da igreja é melhor manterem as portas fechadas porque se estiverem abertas eu entro de novo e de novo e de novo. E se foi uma tentativa do diabo de me tirar da igreja e da comunhão com Deus, digo a ele – perdeu playboy.
Tive uma experiência de conversão e sinto minha fé renovada. Esse blog não pretende: convencer ninguém a nada; converter ninguém a religião alguma. Não leia se vc acredita que só existe o seu Deus ou se vc só acredita na sua religião. Leia: quem assim como eu tenha decidido mudar de religião e que esteja assustada e com dúvida. Mas, esse blog serve de fato para que eu possa registrar meu caminho ao longo do ano de 2010 e para que eu possa observar o que aconteceu comigo e com a minha fé.
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