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Tive uma experiência de conversão e sinto minha fé renovada. Esse blog não pretende: convencer ninguém a nada; converter ninguém a religião alguma. Não leia se vc acredita que só existe o seu Deus ou se vc só acredita na sua religião. Leia: quem assim como eu tenha decidido mudar de religião e que esteja assustada e com dúvida. Mas, esse blog serve de fato para que eu possa registrar meu caminho ao longo do ano de 2010 e para que eu possa observar o que aconteceu comigo e com a minha fé.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

E viveram felizes para sempre

Seguinte, não gosto de falar sobre minha vida amorosa e nem sobre dor de cotovelo ou coisa assim... acho tudo isso batido, chato e brega. Bem.... esse blog começou assim mas evitei falar sobre isso além do que eu precisava. Porém, vou abrir uma exceção porque há algo queimando dentro de mim, esse texto ferve na minha cachola e pode servir pra alguém (ai ai eu sempre me iludindo que alguém lê o que eu escrevo), mas sobretudo servirá para mim, escrever sempre me ajuda de um jeito ou de outro. Comprei recentemente um livro não cristão, desde a minha conversão tenho lido livros evangélicos e os mesmos me fazem companhia e elucidam questões espirituais, além disso, leio a Bíblia - o melhor livro de toda a minha vida – nela encontro paz, poesia, orientação e fé, mas a leitura da Bíblia é complexa, às vezes preciso ler e ler e ler a mesma passagem, às vezes eu preciso fechá-la, orar, pedir entendimento e ler novamente a passagem, enfim, não é algo que possamos ler e pronto, às vezes ela me faz companhia mas às vezes ela briga comigo, me faz pensar nas minhas atitudes, me persegue, enfim, ser perseguida pela palavra de Deus num é algo assim tão fácil. Gosto de dizer que livros são lidos mas a Bíblia precisa ser degustada e digerida. Mas, entre livros evangélicos e a palavra de Deus estou lendo um livro que me convidou a comprá-lo. Eu estava em uma livraria e esse livro olhou pra mim e me deu uma piscadinha – será que eu compro? É um livro sobre casamento e estou solteira, com dor de cotovelo, talvez não seja uma boa ideia. Mas comprei o tal livro e ele me fez pensar em Deus, como? Te conto. A autora relata que sofreu tanto com o divórcio que vivia uma relação de total desespero com a palavra casamento e assim morava com o namorado mas não era casada e não pensava nisso. Não há pior divórcio no mundo do que aquele em que batalhamos pela guarda dos nossos filhos, não há dinheiro, humilhação, raiva, bens. NADA é pior que isso, posso te garantir, passei por um divórcio assim e confesso que assim como a escritora fiquei traumatizada e bastante desiludida com o casamento, depois de me separar tive a experiência de morar quase 2 anos com outra pessoa que embora me chamasse de esposa e me desse o status de tal não era de fato meu marido e aí é onde quero chegar, ele jamais seria meu marido (embora o amasse na minha maneira leviana e irresponsável - isso é redundância? Leviana e irresponsável são sinônimos?) por um fato simples e único, eu não sabia o que era um casamento e depois do divórcio que eu tive tinha meus dois pés atrás com essa palavrinha de união, dor e separação. Além disso, eu estava bastante confortável porque eu ainda não estava divorciada e já tinha casado na igreja, ou seja, casamento de fato não tinha como. Mas, o tempo passou e percebi uma coisa com a leitura do tal livro, fui assim como a autora totalmente traumatizada e descrente a respeito do casamento, mas, não sou mais essa pessoa. Estou na metade do livro e se eu estivesse na dúvida sobre casar ou não esse livro me daria todos os subsídios racionais para não casar, a autora chega a ser quase herege (talvez ela tenha sido herege ainda estou pensando sobre isso) quando fala sobre a igreja e o casamento, o que ela não percebeu e acredito que não perceberá (bem, ainda falta meio livro) é que o casamento religioso não é uma cerimônia, é uma comunhão com Deus, é quando duas pessoas estão perante Deus para se unirem ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE, e quando fazemos esse voto, acreditem, ninguém sabe quanto tempo isso pode ser, se há uma coisa que aprendi na vida é que ninguém sabe quanto tempo ficará com alguém, não que o discurso seja o da libertinagem (o que já foi no passado) mas o oposto, o da responsabilidade. Aproveite o tempo com quem vc ama porque só Deus sabe quanto tempo isso durará, estar casada na igreja, perante Deus é um voto único de devoção e adoração a Deus, serão duas almas unidas adorando a Deus, esse é o propósito do matrimônio. Ora, se viemos ao mundo para adorar a Deus, então seremos um casal em adoração a Deus, esse deverá ser o propósito do casal e tudo o mais deriva desse propósito, porque se somos adoradores não podemos tratar mal nosso cônjuge, não podemos humilhar, maltratar, maldizer, pelo contrário, precisamos cuidar, zelar e amar. E pelo amor de Deus isso não tem NADA a ver com sexo, a autora do livro faz uma explanação que julgo infantil sobre a não sexualidade imposta pela igreja, a qual ela chama de visão do cristianismo, bem, é uma leitura histórica, mas ela cita passagens bíblicas (o que me deu a sensação da heresia) e na boa, não sinto autoridade por parte da autora para isso, mas, prefiro achar que foi uma atitude imatura e leiga por parte dela do que uma atitude herege. Um casal cristão é um casal e como casal devem sim ter relações sexuais e isso inclui posições, lugares exóticos e tudo o mais e sim... não é apenas para procriar, um casal cristão pode, deve e tem prazer no ato sexual, aliás, caso vc não saiba somos os únicos animais que sentimos prazer e praticamos o ato sexual sem que seja para procriação, como vc pode ver Deus é perfeito e ele nos criou assim. Duvida? Há vários textos e estudos sobre o assunto dentro da igreja, se vc tem alguma dúvida procure conversar com um cristão ou com um pastor ou então, procure na internet e vc entenderá o que estou dizendo. Quando eu estava fora da igreja também achava o mesmo, que evangélicos tinham no sexo o pecado absoluto da carne, isso não é verdade. Há sim uma orientação da igreja, e que com bom senso nem precisaria da igreja, sobre relações sexuais antes do casamento, sobre a importância do nosso corpo como criação divina e por aí vai, coisas que descobri depois de muito apanhar. O fato é que durante a minha leitura me vi agradecendo a Deus, obrigada Deus, obrigada Deus, obrigada Deus porque hoje me vejo totalmente curada da minha separação e em paz com o matrimônio, hoje entendo o matrimônio, sei da sua importância e do seu valor e não conseguiria entender tudo isso se não tivesse lendo esse livro “quase” herege kkkkkkk Escrevi há um tempo um texto “senso de família” (se não leu, leia) acho que ali foi o meu despertar para algo maior e melhor mas ainda não era o entendimento do casamento. Quando eu me separei pela segunda vez, há uns 3 anos atrás, meu terapeuta me fez duas perguntas:
- Vc se casaria consigo mesma?
- Com quem vc se casaria?
Bem, tinha que ser honesta e a primeira resposta foi “não”. Eu definitivamente não casaria comigo naquela época, primeiro porque casar estava fora dos meus planos segundo porque eu jamais casaria comigo mesma. Complexa demais, independente demais, crítica demais, exigente demais, chata demais. Agora o óbvio: se nem eu iria casar comigo como eu queria que alguém quisesse isso? A segunda resposta foi muito fácil, ui, muito mega hiper fácil e vou listar só as características básicas porque eu podia escrever um blog inteiro sobre as características do meu homem ideal (ok, nessa época meu terapeuta e eu definimos que não seria marido e sim o homem dos meus sonhos, ficava mais fácil e menos traumático) – meu homem ideal seria maduro intelectualmente, estável financeiramente, gentil (que abrisse a porta do carro pra mim, me mandasse flores e que pagasse a conta do restaurante), magro e alto (meu tipo físico de homem), alguém que praticasse algum esporte, alguém para conversar sobre artes, que fosse amante dos animais e da natureza, que sacasse de filmes (porque gosto muito de discutir direção, luz, atores, roteiro, essas coisas), que amasse as minhas filhas (óbvio ululante), fosse calmo mas determinado, que pudesse me frear as vezes e me acelerar outras vezes, que fosse meu melhor amigo, que estivesse disposto a conversar tarde da noite sobre minhas crises emocionais, que me consolasse nos meus fracassos e pulasse comigo nas minhas alegrias, alguém que me completasse, que o beijo dele me deixasse sem fôlego e que o abraço dele me trouxesse paz, que me fizesse feliz (seja lá o que isso significasse), não não melhor ainda, que ele tivesse pra si a responsabilidade sobre a minha felicidade (seja lá o que isso significasse), mas que acima de tudo que ao olhar nos olhos dele eu tivesse a certeza que ele era o homem da minha vida (essa era mais ou menos a minha senha secreta eu achava que ia olhar nos olhos e saber que aquele seria o homem da minha vida). Como vcs puderam ver tá fácil, era só eu ir ao supermercado e escolher um na prateleira da sessão homem perfeito. Pode parecer piada e nunca contei isso a ninguém, mas, agindo assim eu me eximia de pensar sobre o assunto, por um lado porque eu vi que precisava me concentrar em mim mesma e consertar muitas coisas a meu respeito para poder passar a casar comigo mesma (e não sabia como e nem tinha muita vontade de mexer nisso), por outro lado ia demorar tanto pra eu achar o homem dos meus sonhos que então eu não precisava pensar no “até que a morte nos separe”. Amei o Carlos (de uma maneira menos leviana e menos irresponsável - descobri, são sinônimos, mas acredito que vc sinta a diferença, leviana seria + ou -a forma em que eu me relacionava com o sexo masculino e irresponsável a forma com que eu me relacionava com minhas obrigações e com o mundo), mas, ele não tinha todas as características do meu homem ideal, embora se encaixasse em algumas, e bem.... eu olhava no fundo dos olhos dele e não tinha a certeza que ele era o homem da minha vida. Em determinado momento (acho que principalmente quando tudo estava ruindo) eu cheguei a pensar (ou ao menos quis pensar) que ficaríamos juntos, mas eu imaginava muito mais juntar os trapos e as escovas de dente do que casar. Afinal, não vou ser hipócrita, a separação sem juízes é muito mais fácil e prática, é só uma divisão de coisas e pronto, cada um segue o seu barco, mas, ao mesmo tempo juntamos coisas que podem ser separadas a qualquer tempo, vivemos com a liberdade que se transforma em insegurança com o tempo, afinal, não há nada que nos una além do amor, diferente de um matrimônio religioso, diferente de vc casar perante Deus, acreditem há MUITO mais do que amor para unir um casal cristão. Quando um casal cristão decide se casar ele tem além do amor mútuo, o amor a Deus, aquele amor que transcende nossas almas e corpos. Carlos estava entrando em um divórcio que parecia que ia ser tão difícil quanto o meu foi e isso de alguma forma me aliviava porque eu pensava, “vai ficar tão traumatizado quanto eu e não vai querer casar, vamos só nos juntar”. Graças a Deus ele não precisou passar por isso e graças a Deus aconteceu o que eu não imaginava que pudesse acontecer. Pela primeira vez na história da minha vida eu me vi afins de um rapaz não motivada pelos meus instintos sexuais, nem pela imagem do meu homem ideal, nem tão pouco estava afins dele para ver o que ia rolar, curtição, ao estilo "se der certo bem se não der certo amém" - como era o meu lema no passado. Pela primeira vez eu me vi envolta em um sentimento puro de querer estar junto, de querer dividir parte de mim com alguém e criar planos e sonhos ao lado de uma pessoa, a companhia dele era extremamente agradável, era difícil ir embora e fiquei muito confortável em falar sobre mim e sobre minhas dúvidas, não usei máscaras e nem personagens, fui simplesmente eu e fiquei feliz em ser eu e ele não tinha a obrigação de me fazer feliz porque hoje eu sou feliz e sei o que isso significa. Olha, eu sempre reclamei dos homens que se assustam com mulheres, mas quer saber? Dessa vez eu me assustei comigo mesma, vulnerabilidade seria a palavra, me senti desprotegida e assustada, eu nem sabia que existiam sentimentos assim em mim, finalmente eu pensei – eu casaria comigo mesma. Meus sentimentos eram tão bacanas, fiquei orgulhosa de mim, pela primeira vez eu queria de fato me relacionar com alguém e acho que foi isso que me assustou, afinal, como eu poderia ficar tão afins de um cara sem ter ficado com ele? Como pode? Eu, tão esperta, ter ficado apaixonada por alguém assim sem aviso prévio, sem querer (sim porque resisti bravamente até o quanto eu pude, afinal, ele definitivamente não fazia parte do quadro de homem ideal e racionalmente não fazia o menor sentido essa “paixonite”). E pior, ou melhor, eu estava cheia de boas intenções kkkkkkkkkkkkk Não queridões, não rolou um happy end, isso aqui não é um livro de ficção é realidade pura, o rapaz queria a minha amizade ao que a essa altura me soava como prêmio de consolação, ou seja, não rolou nem amizade. Enfim, não tem drama, não tem confusão, fiquei feliz, finalmente encontrei uma Alice com quem eu me casaria FÁCIL. Meu homem ideal foi pro espaço, não existe mais essa figura emblemática e perfeita e a minha fuga do "olhar certeiro" também acabou, creio que se tratava mais de um mecanismo para eu não assumir minhas escolhas, porque eu sempre poderia recorrer ao pensamento "ora, fiquei com ele mas no fundo eu sabia que não era ele porque quando olhava nos olhos dele eu não tinha a certeza de que ele era o homem da minha vida," que coisa mais ridícula affff, mas, querem saber? Estou muito feliz com isso, o futuro realmente a Deus pertence e sei que Deus tem sempre o melhor pra mim e pra vc. Até ontem eu não conseguia juntar os pontos e ver a figura final, não entendia o propósito em tudo isso e orei muito e pedi a Deus para me mostrar o Seu propósito, agora que liguei os pontos entendi o porquê de tudo isso e estou feliz por ter conseguido passar por tudo isso e sair melhor como pessoa, me sinto mais preparada e mais tranquila sobre mim, sobre relações e sobre o casamento. Mas....não vou deixar de ser a Alice de sempre (aquela sem falsa modéstia), depois de tudo isso não posso deixar de pensar que o rapaz foi burro (como se gostar de alguém fosse questão de inteligência kkkkkkkkk), ele perdeu uma superaventura que poderia, quem sabe, ter terminado com um “viveram felizes para sempre”.

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