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Tive uma experiência de conversão e sinto minha fé renovada. Esse blog não pretende: convencer ninguém a nada; converter ninguém a religião alguma. Não leia se vc acredita que só existe o seu Deus ou se vc só acredita na sua religião. Leia: quem assim como eu tenha decidido mudar de religião e que esteja assustada e com dúvida. Mas, esse blog serve de fato para que eu possa registrar meu caminho ao longo do ano de 2010 e para que eu possa observar o que aconteceu comigo e com a minha fé.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Língua de fel, língua de mel

Domingo de manhã fui novamente à sede, escola dominical, era a minha estréia na turma de crescimento, fui com as tucas. Num teve aula, ah não! Eu queria ir pra aula. Fiquei triste porque tava ansiosa mas a tristeza passou logo, ouvi a palavra do pastor Samir Faraj, irmão do pastor Fadi, e foi uma palavra massa. O pastor falou algo que já venho pensando há algum tempo, falou sobre julgamento. Julgamos tão facilmente, julgamos pessoas, julgamos situações, julgamos, condenamos e já executamos a nossa sentença, não há no mundo tribunal mais rápido que o nosso tribunal interior, mas cuidado ele pode ser o mais rápido mas também o mais injusto, pode ser o pior tribunal. “Apenas nossa opinião está certa? Não erramos nunca?” nos lembrou o pastor Samir e nos lembrou mais, lembrou que o único capaz de julgar e condenar é Deus e que ele pede exatamente para que não julguemos uns aos outros e em Romanos 14:13 “Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.” ele vai além, ele pede para que ao invés de julgar possamos ajudar. Às vezes eu paro e penso, até as formigas se respeitam mais do que nós humanos, elas se ajudam e se respeitam, todas tem suas funções e não ficam questionando porque uma é operária e outra soldado... nenhuma formiga fala mal da rainha, há apoio mútuo, e quando uma está em perigo TODAS correm para ajudar, e se a formiga morre TODAS correm para carregá-la, as formigas possuem um cemitério e carregam as formigas mortas para lá, elas respeitam até as formigas que já morreram, é... é uma vida de tédio diríamos, todo o dia as formigas fazem tudo sempre igual... somos muito melhores que elas, podemos profanar, falar da vida alheia, julgar o modo de vestir, de falar, de se comportar, podemos ditar modas e modos, podemos dizer aos nossos semelhantes como eles devem se comportar, como devem se vestir, o que é o certo e o que é errado, julgamos nossos semelhantes, aliás, semelhante, como bem lembrou o pastor, semelhante não é quem é igual à vc, não é quem pensa como vc, não é quem se assemelha a vc, semelhante é todo o filho de Deus, vou repetir e vê se tu pega a mensagem SEMELHANTE É TODO O FILHO DE DEUS, aí vc vai falar - somos semelhantes ao Osama Bin Laden? E eu vou te responder - sim queridos somos sim, somos filhos de Deus e ele também é filho de Deus, um filho muito rebelde, problemático, louco, doente, instrumento do diabo, que deve deixar Deus com os cabelos em pé, mas, é um filho de Deus e portanto semelhante a nós. Ok, ok, precisamos caçá-lo, precisamos prendê-los, precisamos manter a ordem mundial, sou a favor disso, até as formigas matam formigas para manter a ordem no formigueiro, mas para isso há o tribunal dos homens e a justiça dos homens, mas apenas para lembrar, o único tribunal que não é falho é o tribunal de Deus, porque um tribunal humano julgou, condenou e executou Jesus. Todos nós ainda vamos responder no tribunal de Deus, vc, eu e até Osama Bin Laden um dia vamos ser julgados por Deus, ou vc tem dúvidas disso? Eu não tenho e sendo bem egoísta e pensando em mim e só em mim tô muito afins de mudar minha conduta, de usar a minha língua para profetizar e não pra profanar, para elogiar e não para fofocar, para agradecer e não para maldizer, para ajudar e não para julgar, para glorificar e não reclamar. A língua que xinga é a mesma que diz palavras doces, a língua não muda é a mesma, podemos usá-la como nos convém e estou convencida que posso mais, que posso ir além, que posso ser melhor, que devo ser melhor e tô topando o desafio de mandar na minha língua e não de ser mandada por ela, controlo ela ou ela me controla? Ela é mais rápida que meus pensamentos? Eu falo e depois penso?
Sabe, minhas pitucas estão na fase “mãe, minha irmã me chutou”, “mãe, minha irmã falou que não vai mais me emprestar o brinquedo dela”, “mãe, minha irmã isso minha irmã aquilo” affffff ser mãe é padecer no paraíso mas ninguém me disse que os anjinhos tocam rock pesado e nem que o céu fica aberto 24h, bem, numa crise de mãe solteira - aquela que não tem uma interlocução pra saber como agir, se está exagerando, se vale a pena castigo ou apenas uns gritos histéricos e o pior, aquela que sempre chama a atenção porque só tem ela, num rola revezamento – mas, numa crise dessas eu dei uma nova ordem e disse – a partir de hoje quem falar mal da irmã vai ter que falar uma coisa boa, se for fazer fofoca da irmã vai ter que fazer um elogio pra ela, tá muito fácil falar mal da irmã e muito difícil elogiar. Bem, a Juliana foi a primeira “mãe, a chata da Isadora não quer deixar eu cantar” e eu - opa! Ju, pode fazer um elogio pra sua irmã, tá reclamando então tem que falar uma coisa boa. Juliana pensou, pensou e com muuuuuuuuuuuito custo falou “minha maninha faz desenhos muito bonitos e inventa histórias”e eu disse – muito bem, Isadora obrigada por vc ser uma boa irmã, mas agora peça desculpas para sua maninha porque vc está sendo mandona e não está deixando ela cantar e ela quer e tem o direito de cantar o que ela quiser. Isadora pediu desculpas para irmã e surpresa, foi um pedido suave e cordial, fato histórico porque ela sempre pedia desculpas de maneira debochada, mas ela tinha também recebido um elogio e lembrado que Juliana gosta dela e assim ela percebeu a sua própria grosseria. Aprendi várias coisas com essa nova regrinha da casa: como é fácil a gente reclamar e difícil elogiar e como ficamos sem graça e fragilizados diante de um elogio, Isadora se arrependeu por ter sido tão mandona, pude perceber sinceridade no pedido de desculpas dela, não foi como das outras vezes em que ela pedia desculpas por que havia uma ordem minha, foi porque ela ficou envergonhada diante do elogio da irmã, porque ela percebeu que a irmã dela gosta dela e que ela foi grosseira. Percebi que o elogio mexe com a gente, nos envergonha, nos comove, nos toca, lembramos que também somos bons, que valemos a pena, que acertamos, embora a toda hora alguém reclame da gente.
O pastor Samir me fez pensar em tudo isso, me lembrou que somos luz do mundo e sal da terra, que precisamos fazer a diferença, que precisamos levar luz onde há escuridão, precisamos salvar o nosso irmão e não julgá-lo, que desafio enorme. O pastor leu Tiago 4:11,12 "Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?" E ele nos fez a terrível pergunta “Quem é você? Não vc dentro da igreja, mas quem é você fora da igreja, quem é você no trabalho, na família e acima de tudo, quem é você na hora do banho, no carro sozinho, ou quando deita sua cabeça no travesseiro?” Como fugimos dessa pergunta, ligamos o som do carro no volume máximo, telefonamos para amigos apenas para não ficarmos sozinhos com nossos pensamentos e com a pergunta terrível que o pastor Samir nos fez, mas sabe, essa pergunta tem me acompanhado desde o domingo e convido você a encará-la e a se perguntar - minha língua é de fel ou é de mel?

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