Embora eu não tenha postado nenhum culto por esses dias devo dizer que estou indo aos cultos sempre, sem falta. É que por esses tempos tenho vivido momentos de conflito e estou focada no aprendizado da fé em tempos de “crise”. Descobri algo sobre mim, oração era pra mim momento de alegria, de júbilo, de adoração, minha oração flui intensamente quando estou feliz e posso agradecer. Quando estou feliz, louvo, adoro a Deus em espírito e em verdade, mas, quando a coisa não está muito boa, quando é tempo de batalha eu me afasto de Deus. Eu sei, eu sei... é burrice e totalmente sem noção, mas percebi que eu não fazia isso só com Deus fazia isso com todos, em meus momentos não muito bonitos eu preferia me afastar de tudo e de todos. Ficar no meu casulo, isolada, de alguma forma me deixava mais tranquila, mostrar minha fragilidade não é algo que eu goste muito. Mas, viver assim sempre foi um problema, porque por um lado ficar fingindo que se vive em uma ilha deserta estando rodeada de pessoas é complicado, e por outro lado, é um saco ficar rindo o tempo todo. Pelo sim pelo não, passei por muitos problemas e muitas crises assim, fechada no meu casulo. Passei por tribunal, depressão, crise de abstinência, dor de cotovelo e outros, sempre sorrindo e sozinha, isso me deixava mais forte, e na boa, é uma chatice ficar contando a “história” da sua vida pra todo o mundo. Mas, porém, contudo, todavia, não obstante, num dá pra fazer isso com Deus, num dá pra dizer “– Deus dá um tempo aí que agora é um momento tenso e vou dar uma sumida” e, no fundo, era o que eu estava fazendo. Entendia que Deus não tinha a ver com o meu pior e isso incluía minhas crises e minha ira. Faço aqui uma reflexão, acho (é achômetro mesmo, não tô afirmando nada e nem tem estudo sobre isso) que acabamos projetando nossas relações interpessoais com a nossa relação com Deus, assim, se somos arrogantes com as pessoas que nos cercam provavelmente seremos arrogantes com Deus, se somos egoístas seremos com Deus, se somos orgulhosos seremos assim com Deus, se somos vítimas seremos assim com Deus e por aí vai... Então, eu estava apenas reproduzindo o que eu era com as outras pessoas com Deus, mas escute bem, Deus sabe de TODAS as coisas, Ele nos conhece como ninguém nunca nos conhecerá, ouso dizer que Ele nos conhece como nem nós mesmos nos conhecemos, então, é ÓBVIO que não podemos ter o mesmo tipo de relacionamento que temos com as pessoas com Deus.
Mas enfim, onde eu estava? Ah sim, dia desses eu fiquei irada, e tipo assim, cresci achando que ira era um pecado, do tipo pecadinho mas era um pecado e me vi em uma situação de ira total, saca aquela ira que vc chega a ficar quente e suar mesmo em dia de frio? (ainda bem que uso um desodorante bom e perfume francês, nessas horas isso ajuda muito, creia kkkkk) E o que eu fiz? Fiquei apenas irada não busquei a Deus, eu estava irada e com medo de estar pecando (porque ira pra mim era pecado) e com vergonha de Deus porque eu não conseguia deixar de ficar irada, porém, há uma evolução, no passado eu ficava irada e maldizia, e essa ira crescia em mim e tomava conta dos meus pensamentos e eu implodia (ficava doente ou revoltada) do tipo: isso não é justo, não é justo, não é correto e blá blá blá. Olha, realmente às vezes a gente num vê muita justiça mesmo nas coisas que rolam na nossa vida, é verdade também que às vezes as coisas não são muito corretas aos nossos olhos, mas o que não podemos fazer é nos afastar de Deus, e era o que eu estava fazendo, bem, como eu disse, eu achava que Deus não combinava muuuuuuuuito com minha ira, meus sentimentos ruins ou minhas crises. Eu estava errada.
Conversando descobri que posso irar, é bíblico, Efésios 4: 26;27 “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo” só não posso pecar e nem dar lugar ao diabo (acho que no passado eu fazia isso de monte, não fiz isso dessa vez). Mas...... para que não pequemos e não demos lugar ao diabo precisamos do quê? Sim, claro, de Deus. Parece óbvio e é, mas para mim não estava sendo. Precisei ser convencida, mas, principalmente, precisei me convencer. Aceitar ser nova criatura é isso, é mudar, é largar atitudes antigas, é deixar o passado e olhar o presente, é aprender e crescer. Aceitei o desafio, me sinto de fato uma nova pessoa, mas eu achava que seria como num passe de mágica, achava que porque eu tinha ido lá na frente (e fiz isso 4 vezes afffff) e entregado publicamente minha vida a Jesus tudo tinha mudado automaticamente. De fato muita coisa mudou realmente como um estalar de dedos, passei a entender a bíblia, passei a conversar com Deus, passei a me amar e a ver a vida de outra forma e isso rolou assim como se eu tivesse de repente aberto meus olhos e nascido de novo, mas, outras coisas não são assim, outras coisas requerem esforços, autoanalise, autocritica e definitivamente ajuda e ajuda de humanos, não vale só a ajuda de Deus. Eu não teria percebido sozinha o que parece hoje muito óbvio, que Deus não me quer perfeita e sem pecados (porque isso é impossível, somos pecadores) Ele sabe que sou humana e que peco e que sinto ira, vergonha, medo. Sem a ajuda de algumas pessoas eu não teria percebido que eu preciso intensificar minha relação com Deus, ou melhor, que eu preciso ter uma relação verdadeira com o Pai eterno. Sem a ajuda de algumas pessoas eu não teria percebido que eu estava tendo uma meia relação com Deus e não uma relação inteira, a pastora Jack foi muito amorosa e me deu um exemplo muito simples (saca que a pastora é inteligente e percebeu que o meu “QI espiritual” ainda é baixíssimo então nada como um exemplo bem didático pra uma “loira espiritual” kkkkkkkkkkkk), ela me disse mais ou menos assim: vc quer que Deus te visite apenas na sala de estar, mas sabe, Ele conhece toda a sua casa, até aquele quartinho bagunçado e a área de serviço, então, não deixe Ele apenas sentado na sua sala arrumada, convide Ele a passear por toda a sua casa, às vezes só Ele pode te ajudar a arrumar aquele quarto bagunçado, isso é ter intimidade, isso é ter uma relação verdadeira com Deus.
Decidi que quero essa relação profunda com Deus, quero ir além, quero romper com meus limites, quero ser íntima de Deus, quero que Ele possa me ajudar a arrumar meu quarto bagunçado, que Ele possa conhecer minha ira e me ajude a dominá-la, Ele não me quer perfeita, Ele me conhece e sabe que peco, que tenho sentimentos feios. Tenho me colocado na presença de Deus quando estou feia, quando estou irada e tenho dito “Deus, estou com muita raiva, estou com muita raiva, me perdoe e me ajude, que essa raiva passe, que essa ira não tome conta do meu ser” e quando eu faço isso sinto Deus me acalmando, como um pai querido que traz um copo de água com açúcar e que fica ali cantando um hino de louvor, me consolando e esperando pacientemente a ira ir embora. Estou aprendendo a orar, estou aprendendo a guerrilhar, estou em crescimento, há um longo caminho a percorrer e isso é bom, isso é massa, isso faz de mim um ser vivo, uma nova criatura.
Tive uma experiência de conversão e sinto minha fé renovada. Esse blog não pretende: convencer ninguém a nada; converter ninguém a religião alguma. Não leia se vc acredita que só existe o seu Deus ou se vc só acredita na sua religião. Leia: quem assim como eu tenha decidido mudar de religião e que esteja assustada e com dúvida. Mas, esse blog serve de fato para que eu possa registrar meu caminho ao longo do ano de 2010 e para que eu possa observar o que aconteceu comigo e com a minha fé.
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